Quando o Frank, em 1999, começa a se dedicar ao triathlon, a vida dele se simplifica.

Não, claro que nadarpedalarcorrer não é nada simples. Para a maioria das pessoas, passar a treinar esse esporte significa optar por um estilo de vida um tanto complexo. No caso do Frank, aconteceu o contrário: a vida tomou jeito.

O Cabeção meio que por instinto e coração, como deve ser, encontrou seu rumo – e, aprendendo a levar na esportiva todo tipo de contrariedade, foi construindo o triatleta admirado que é atualmente, independentemente dos resultados a cada nova competição.

Respondeu a todas as desconfianças externas com muita dedicação e paciência, superando um desafio (uma marca, um patamar) por vez. Desconfianças? Sim. O Frank não nasceu nem cresceu nadando para 1’08 a série de 100m, nem pedalando os 90k para 2h09, muito menos correndo para 4’/km depois de encarar 3,9km no mar e 180km de bike.

Enquanto isso tudo foi sendo construído, houve quem duvidasse, claro, sempre há. Mas houve também que o incentivasse, quem o inspirasse. E a resposta está aí – vem sendo dada de forma sempre contínua, na verdade, porque o Cabeção nunca está completamente satisfeito. “Ainda me sinto bem inquieto com o meu ciclismo. Sei que dá para melhorar”, comenta.

Ao escolher o triathlon, a vida do Frank deu uma simplificada no seguinte sentido: ele sempre gostou de esportes, as opções eram variadas, então as coisas seguiam assim, meio soltas e sem um foco definitivo. Mas ainda que apreciasse experimentar diferentes atividades físicas, três delas o acompanharam desde criança, assim, dissociadas e despretensiosamente. Adivinha quais?

Natação. Ciclismo. Corrida.

Olha só que coincidência!!!

Abaixo, ele conta melhor essa história, incluindo clubes e algumas das pessoas que foram fundamentais na sua formação como triatleta.

Natação.

Inicialmente, o Frank com seus 8, 9 anos fugia da raia, literalmente. Estimulado pela mãe, que desde cedo proporcionou aos três filhos o contato com a água, em clubes durante as férias de verão, Frank acabou matriculado em uma escola de natação. Quem era seu professor na época? Roberto Lemos, já triatleta (e hoje treinador do Frank). “Eu odiava nadar, eu gostava de estar na água, mas não de treinar. Porque eu não era bom naquilo. Sempre fui competitivo. Onde eu não era bom eu não queria ficar”, conta. “Mas aprendi a nadar ali, sem o caráter competitivo, porque me faltava maturidade até”.

Já adolescente, voltou para uma escola de natação, a RaiaCenter, ao lado de sua casa. Foram quase dois anos nadando na piscina de 15 metros. “Bah, eu achava o máximo”, diz. Enquanto isso, o interesse pelo triathlon ía ganhando espaço. “Eu era muito metido e observador, já observava muitos treinando, inclusive o Roberto que passava correndo e pedalando perto da minha casa. Acho que desde a minha infância eu enxergava aquilo…”.

Então, aos 16 anos, Frank é apresentado a Wilson Mattos, treinador do Roberto. “Eu queria treinar com o treinador do Roberto”. Frank passa a nadar no clube Caixeiros Viajantes, piscina de 25 metros. “Ali, desenvolvi minhas habilidades. O Wilson cobrava bastante, o clube era referência na natação. Foram 10 anos de muito aprendizado”.  Ganhar o Estadual de Triathlon foi seu primeiro objetivo. “Eu queria ganhar das minhas referências, que eram o Fernandão, o Duda, o Lemos e o Chacur”, cita.

Ciclismo.

Por alto, o Frank já teve umas 10 bicicletas de competição e provavelmente é capaz de descrever cada uma delas. As magrelas estão na maior parte das melhores lembranças de infância e início da adolescência, com os primos, em aventuras que incluíam morros, longos pedais até a praia e, mais tarde, a velocidade. Trocava de bike toda hora. “Parece destino, né? Desde pequeno sou apaixonado por bicicleta”, diz. Até os nove, 10 anos, os brinquedinhos eram as mountain bikes. Isso até conseguir adquirir uma Caloi 5 e experimentar o gostinho da velocidade.

Depois, ainda bem jovem mas agora cercado de referências como o Roberto Lemos e o Wilson Mattos, o ciclismo virou treino regular. “Os dois sempre pedalaram muito. E, eu desde moleque, tentava acompanhar na roda. Levei anos para subir de patamar e conseguir alguma forma de interação com eles”, revela. “Depois da natação, o ciclismo foi a modalidade que mais me exigiu, no sentido de evoluir”.

E aí entra um componente importante para alcançar os objetivos sobre duas rodas: Frank é bem ligado em tecnologia e sempre acompanhou, com prazer, as novidades técnicas na área de ciclismo. “Sou fascinado por analisar potência, arquivos, comparar rendimentos, interlarrelacionar biomecânica com fisiologia…” Os treinos  Serra acima são oportunidade para, depois, analisar o medidor de potência. “Adoro pedalar em subida”.

Corrida.

Talvez nem todos saibam, mas o Frank já jogou futebol. Dos 10 anos aos 14 anos. Em escolinha. E bem. Posição? Lateral esquerdo. E o que faz um bom lateral? Corre. Muito. “Acho que o futebol tem bastante responsabilidade no repertório motor que tenho hoje. Eu era bom, gostava de jogar.” Aos 14 anos, ele seguiu correndo, agora no colégio. “Tive um professor, o Fernando Cezar Braga, que me incentivava e motivava muito.” Esse retrospecto rendeu frutos.

Frank tinha pouco mais de um ano de triathlon e impressionou o grupo com que treinava ao cumprir 10km na casa dos 39’ou 40’. “Eu nem sabia o que isso significava… falo hoje, mas na época não tinha noção de tempo, do que era bom, muito bom, ruim… Eu lembro de um sábado à tarde em que fomos para a Beira Rio treinar todos juntos e, não que tivesse programado, virou uma competição! Uma peleia! E eu cheguei primeiro que todos, correndo os 10 mil para 38’50, algo assim.”

Portanto, não parece por acaso que um dos grandes momentos da carreira de Frank tenha sido um título de campeão mundial de Duathlon, na categoria, em 2005.
No ano seguinte, ele viaja para a Austrália, onde permanece durante um ano, treinando. “Foi muito importante conhecer o mundo do triathlon profissional, conviver com atletas estrangeiros e seus tipos de treino”, comenta. A experiência mudou os referenciais do Frank. “Pude ver de perto uma das escolas mais fortes do triathlon mundial, com competições de alto nível, bem organizadas e disputadíssimas. Percebi que, além de muita tecnologia, estrutura e conhecimento, existem muito trabalho, dedicação e uma vontade extraodinária.”

De volta ao Brasil, uma nova frente se abre em 2007: o trabalho como treinador na RaiaSul Assessoria Esportiva – que, quase 10 anos depois, conta com 150 integrantes, entre corredores, triatletas e ciclistas.

Aos cursos visando melhorias na sua própria performance como triatleta, Frank agregou vivências e conhecimento na área de gestão de assessorias esportivas. Isso tudo sem deixar de estudar, trabalhar, participar das provas do circuito nacional e internacional, correndo atrás de patrocínio.

Frank é formado em Educação Física pela PUCRS. Fez clínica com Mark Allen sobre treinamento para provas de longa distância (Ironman) – 2007, São Paulo.

Tem, ainda, curso com Júlio Cerca Serrão, cuja linha de pesquisa envolve a Biomecânica do Esporte, a Biomecânica da Locomoção e a Biomecânica do Exercício. 2012. Na área de ciclismo especificamente, fez curso sobre Medidor de Potência, em 2011, Curitiba, promovido por Kona Bike – 5 dias de imersão, com Hunter Allen.

Sua história contada assim, ainda que ligeiramente, permite compreender que à facilidade com esportes, à boa consciência corporal, Frank acrescentou inquietude, curiosidade, dedicação, paciência e muita disposição, para sair de zonas de conforto, se colocando junto daqueles que admirava, aprendendo sempre.

Então, quando o Frank começa a se dedicar ao triathlon, lá em 1999, mal sabia ele, nascia um triatleta inspirador e apaixonado pelo esporte ao qual se dedica, nome para ser citado entre os melhores. Fora isso, dezenas de pessoas estavam ganhando um técnico amigo, dedicado, competente e carismático. Não me contaram, não. Eu comprovei.

Loraine Luz

Jornalista e ex-aluna de Frank.

 

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